Resumo rápido
Endometriose profunda é a forma da endometriose em que as lesões infiltram os tecidos mais de 5 mm abaixo da superfície do peritônio, podendo acometer ligamentos do útero, a região atrás do colo, o intestino, a bexiga e os ureteres. Costuma causar cólica intensa, dor na relação sexual e sintomas intestinais ou urinários no período menstrual. O diagnóstico é feito com avaliação clínica e exames de imagem direcionados, como o mapeamento de endometriose por ultrassom.
O que é endometriose profunda
A endometriose é a presença, fora do útero, de um tecido semelhante ao endométrio, a camada interna do útero que descama a cada menstruação. Esses focos provocam inflamação crônica na pelve e podem se apresentar de três formas, que muitas vezes aparecem juntas na mesma mulher, frequentemente acompanhadas de adenomiose:
Superficial
Pequenos focos sobre o peritônio, a membrana fina que reveste a pelve e o abdome.
Endometrioma
Cisto de endometriose no ovário, com conteúdo de sangue antigo.
Profunda
Lesões que infiltram mais de 5 mm abaixo do peritônio e podem envolver órgãos vizinhos.
Adenomiose
Tecido semelhante ao endométrio dentro do músculo do útero, que muitas vezes acompanha a endometriose. Saiba mais sobre adenomiose.
Na endometriose profunda, as lesões costumam ser nódulos fibrosos e endurecidos, que podem se aderir a órgãos e nervos da pelve. É por isso que a dor tende a ser mais intensa e a afetar funções do dia a dia, como evacuar, urinar e ter relações sexuais. O consenso internacional IDEA padronizou como o ultrassom deve procurar e descrever essas lesões, compartimento por compartimento.1
Importante: endometriose profunda não é sinônimo de doença sem solução. É um padrão específico da doença, que pede avaliação cuidadosa e acompanhamento regular.
Onde a endometriose profunda costuma aparecer
Os sintomas dependem dos locais acometidos, e cada mulher pode ter uma combinação diferente. Os mais frequentes são:
- Ligamentos uterossacros e região retrocervical: estruturas que sustentam o útero, atrás do colo. São os locais mais comuns e costumam causar dor pélvica profunda e dor na relação sexual.
- Septo retovaginal e fundo da vagina: o tecido entre o reto e a vagina. Lesões aqui se associam à dor na penetração profunda e à dor ao evacuar.
- Intestino: principalmente o reto e o sigmoide. Podem causar dor ao evacuar, alternância entre diarreia e prisão de ventre e piora dos sintomas no período menstrual. Raramente, lesões grandes estreitam o intestino a ponto de causar obstrução.
- Bexiga: dor ao urinar, vontade frequente de urinar e desconforto na bexiga, que pioram perto da menstruação.
- Ureteres: os canais que levam a urina dos rins à bexiga. O comprometimento pode não dar sintomas e, ainda assim, dilatar o rim; por isso os rins também são avaliados nos exames.
Em situações raras, a doença atinge nervos da pelve, causando dor que irradia para a perna no período menstrual, ou locais fora da pelve, como o diafragma.
Sintomas da endometriose profunda
Nem toda cólica é endometriose, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente quando a dor é forte, piora com os anos e se repete em quase todos os ciclos.
No período menstrual
Cólica intensa que começa antes da menstruação, não melhora com analgésicos comuns ou faz perder dias de trabalho ou estudo.
Na relação sexual
Dor na penetração profunda (dispareunia profunda), descrita como pontada ou choque no fundo da vagina.
Intestinais
Dor ao evacuar, sensação de pontada no reto, gases e distensão, alternância de diarreia e prisão de ventre, tudo pior no período menstrual.
Urinários
Dor ao urinar e vontade frequente de urinar perto da menstruação, sem infecção urinária confirmada.
Com o tempo, a dor pode deixar de ser só menstrual e virar uma dor pélvica crônica, quase diária, que afeta o sono, o humor e o cansaço. A diretriz europeia de endometriose (ESHRE) recomenda considerar o diagnóstico em mulheres com esse conjunto de sintomas, mesmo antes de qualquer exame.2
A intensidade da dor não mede o tamanho da doença. Há mulheres com lesões extensas e pouca dor, e outras com dor forte e lesões pequenas. Por isso, dor importante sempre merece avaliação.
Como é feito o diagnóstico da endometriose profunda
O diagnóstico combina a conversa detalhada sobre os sintomas, o exame ginecológico e exames de imagem direcionados. Como os sintomas muitas vezes são tratados como cólica comum, o diagnóstico pode levar anos, e valorizar a queixa desde o início faz diferença.
Ultrassom transvaginal com preparo intestinal
É o mapeamento de endometriose: um ultrassom transvaginal feito com protocolo específico, depois de um preparo intestinal que reduz gases e fezes. O exame avalia útero, ovários, ligamentos, bexiga, vagina e intestino de forma sistemática, verifica se os órgãos deslizam normalmente ou estão presos por aderências e mede cada lesão, seguindo o padrão do consenso IDEA.1 Os rins também são examinados, para afastar dilatação causada pelo comprometimento dos ureteres.
Ressonância magnética da pelve
Exame sem radiação que mostra a pelve inteira e regiões fora dela. É uma alternativa ou um complemento ao ultrassom, útil principalmente quando há suspeita de doença extensa ou em locais menos acessíveis ao ultrassom, e antes de cirurgias complexas.
Laparoscopia
Cirurgia por pequenas incisões que permite ver as lesões diretamente e retirar fragmentos para biópsia. Já foi o primeiro passo do diagnóstico; hoje, segundo a ESHRE, ela não é mais obrigatória para iniciar o tratamento quando os exames de imagem e a avaliação clínica são consistentes.2
| Exame | O que acrescenta | Observação |
|---|---|---|
| Mapeamento por ultrassom | Lesões profundas, intestino, endometriomas, aderências e mobilidade dos órgãos | Exige preparo intestinal e experiência de quem examina |
| Ressonância magnética | Visão ampla da pelve, regiões laterais e fora da pelve | Depende de protocolo adequado e radiologista experiente |
| Laparoscopia | Visão direta e biópsia | É cirurgia; reservada para casos selecionados |
A revisão Cochrane sobre exames de imagem mostrou que o ultrassom transvaginal e a ressonância têm desempenho útil para identificar a endometriose profunda, com melhores resultados quando o ultrassom é feito com preparo intestinal.3
Suspeita de endometriose profunda?
O mapeamento de endometriose é feito em Curitiba, com tempo dedicado, explicação durante o exame e laudo entregue na hora.
O que os exames de imagem não mostram
O ultrassom e a ressonância identificam bem as lesões profundas e os endometriomas, mas os focos superficiais, pequenos e rasos sobre o peritônio, costumam passar despercebidos.3
Exame sem endometriose profunda não exclui endometriose. Se a dor continua, leve o resultado ao seu médico: ele vai interpretar o que apareceu e o que não apareceu junto com os seus sintomas e o exame físico, como recomenda a ESHRE.2 Um exame normal não invalida a dor que você sente.
Endometriose profunda e fertilidade
A endometriose é uma causa conhecida de dificuldade para engravidar, mas isso não significa que toda mulher com a doença terá dificuldade. Na endometriose profunda, alguns mecanismos podem pesar:
- Aderências que alteram a posição e a mobilidade de útero, trompas e ovários.
- Inflamação na pelve, que pode prejudicar a captação do óvulo pela trompa.
- Dor na relação sexual, que reduz a frequência das tentativas.
- Endometriomas associados, que exigem cuidado com a reserva ovariana.
A avaliação considera a idade, a reserva ovariana, o sêmen do parceiro e o tempo de tentativa. A decisão entre tentar engravidar naturalmente, operar ou partir para a reprodução assistida depende desse conjunto, e não apenas da presença da endometriose profunda.2 Muitas mulheres com a doença engravidam, com ou sem tratamento. Para quem está tentando, o controle de ovulação por ultrassom ajuda a identificar o período fértil.
Tratamento da endometriose profunda
O tratamento é sempre individual e definido junto com o médico, levando em conta a intensidade da dor, o impacto na rotina, o desejo de engravidar, a idade e os órgãos acometidos.
Tratamento clínico
Analgésicos e anti-inflamatórios para a dor e tratamentos hormonais (pílula contínua, progestagênios, DIU hormonal, medicamentos que reduzem o estrogênio) para diminuir a atividade das lesões. Ajustes ao longo do tempo são comuns.
Cirurgia
Indicada em casos selecionados: dor que não melhora com o tratamento clínico, comprometimento do intestino ou do ureter ou algumas situações de infertilidade. Em geral é feita por videolaparoscopia, planejada a partir do mapeamento.
Equipe multidisciplinar
Conforme os órgãos envolvidos, o planejamento pode incluir ginecologista, coloproctologista e urologista.
Cuidados complementares
Fisioterapia pélvica para dor na relação e tensão do assoalho pélvico, apoio psicológico e orientação nutricional para sintomas intestinais.
Medicamentos hormonais não devem ser usados por conta própria. Não existe um tratamento único que sirva para todas, e as decisões devem ser compartilhadas entre a paciente e a equipe.
Convivendo com a endometriose profunda

O impacto vai além da dor física: trabalho, estudo, relacionamentos e vida sexual podem ser afetados, e isso merece ser reconhecido. Algumas medidas ajudam:
- Registre os sintomas em um diário do ciclo: dor, sangramento e alterações intestinais ou urinárias. Isso facilita a conversa com o médico.
- Converse com o parceiro ou a parceira sobre a dor na relação; a fisioterapia pélvica pode ajudar.
- Mantenha acompanhamento regular. O tratamento pode mudar ao longo dos anos.
- Busque informação de qualidade e grupos de apoio, sem substituir a consulta.
Perguntas frequentes sobre endometriose profunda
Endometriose profunda é a mesma coisa que endometriose intestinal?
Não. A endometriose intestinal é um dos tipos de endometriose profunda, localizado no intestino, principalmente no reto e no sigmoide. É possível ter endometriose profunda nos ligamentos, na vagina, na bexiga ou nos ureteres sem que o intestino esteja comprometido.
A endometriose profunda sempre piora com o tempo?
Não necessariamente. A evolução varia: algumas mulheres têm doença estável por muitos anos, outras notam piora dos sintomas ou crescimento das lesões. Por isso o acompanhamento periódico é importante.
O ultrassom comum mostra a endometriose profunda?
Um ultrassom transvaginal de rotina, feito sem preparo e sem protocolo para endometriose, pode não mostrar as lesões profundas. O mapeamento de endometriose segue um roteiro específico para procurá-las, sempre com preparo intestinal.
Quem tem endometriose profunda pode fazer atividade física?
Em geral, sim, e a atividade regular pode ajudar no controle da dor e no sono. Converse com o seu médico e, se indicado, com um fisioterapeuta pélvico para adaptar o tipo e a intensidade do exercício.
A endometriose profunda some depois da menopausa?
Depois da menopausa, a produção de hormônios pelos ovários cai e muitas mulheres melhoram bastante. Algumas lesões, porém, podem continuar ativas, principalmente com reposição hormonal, então o acompanhamento continua recomendado.
Como me preparar para o mapeamento de endometriose em Curitiba?
O exame é feito com preparo intestinal: dieta leve na véspera e medicação conforme a orientação enviada no agendamento. Leve exames e laudos anteriores (ultrassom, ressonância, cirurgias) e a lista dos medicamentos que você usa.
Atendimento em Curitiba
Mapeamento de endometriose com tempo e explicação
Se você se identificou com os sintomas, o mapeamento ajuda a entender onde está a doença e a planejar os próximos passos com o seu médico.
Av. Visconde de Guarapuava, 4628 · Sala 814 · Ed. Doc Batel · Batel, Curitiba (PR)
Referências
- Guerriero S, Condous G, van den Bosch T, et al. Systematic approach to sonographic evaluation of the pelvis in women with suspected endometriosis, including terms, definitions and measurements: a consensus opinion from the International Deep Endometriosis Analysis (IDEA) group. Ultrasound Obstet Gynecol. 2016;48(3):318-32. doi:10.1002/uog.15955
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009
- Nisenblat V, Bossuyt PM, Farquhar C, Johnson N, Hull ML. Imaging modalities for the non-invasive diagnosis of endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2016;2:CD009591. doi:10.1002/14651858.CD009591.pub2
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica e a avaliação individualizada.

