Adenomiose: ilustração anatômica do útero com focos de tecido semelhante ao endométrio dentro da parede muscular (miométrio)

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Endometriose 9 min de leitura

Adenomiose: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

O que é, sintomas, diferença para a endometriose, como o ultrassom transvaginal identifica pelos critérios MUSA e quais são os caminhos de tratamento.

Dra. Camila Gomes Bruns
Dra. Camila Gomes BrunsMÉDICA · CRM-PR 19.523

Resumo rápido

Ginecologia · Endometriose9 min de leitura

Adenomiose é uma condição benigna em que um tecido semelhante ao endométrio, a camada interna do útero, cresce dentro do miométrio, o músculo da parede uterina. Pode causar cólica forte, sangramento menstrual intenso, dor pélvica e aumento do útero, mas também pode não dar sintomas. O diagnóstico é feito com avaliação clínica e ultrassom transvaginal, seguindo os critérios do consenso internacional MUSA.

O que é adenomiose

Normalmente, o endométrio fica restrito à cavidade do útero e descama a cada menstruação. Na adenomiose, um tecido semelhante a ele penetra no miométrio, a camada muscular da parede do útero, e se instala ali. Esse tecido continua respondendo aos hormônios do ciclo, o que provoca inflamação, dor e, com o tempo, aumento do volume do útero.

A adenomiose aparece de duas formas principais, que podem coexistir:

Adenomiose difusa

O tecido está espalhado por uma parte grande do músculo do útero, que fica aumentado e de aspecto arredondado.

Adenomiose focal (adenomioma)

O tecido se concentra em uma área, formando um nódulo que pode ser confundido com um mioma.

É uma condição benigna e mais frequente a partir dos 35 anos, mas também é diagnosticada em mulheres mais jovens, principalmente com os exames de imagem atuais. Muitas vezes vem acompanhada de endometriose ou de miomas.

Causas e fatores de risco da adenomiose

A causa exata ainda não é conhecida, e provavelmente vários mecanismos atuam juntos. As explicações mais aceitas são:

  • Invasão a partir do endométrio: pequenas lesões na transição entre o endométrio e o músculo, como as causadas por partos, cesáreas, curetagens e outras cirurgias do útero, facilitariam a entrada do tecido no miométrio.
  • Origem no próprio músculo: células da parede do útero se transformariam em tecido semelhante ao endométrio, o que explica casos em mulheres sem cirurgia prévia.
  • Estímulo hormonal: o estrogênio alimenta as lesões; por isso a adenomiose praticamente não aparece antes da puberdade e tende a melhorar depois da menopausa.

Os fatores de risco mais citados são idade acima de 35 anos, gestações anteriores, cirurgias no útero e a presença de endometriose. Ainda assim, a adenomiose pode aparecer sem nenhum deles.

Sintomas da adenomiose

Adenomiose sintomas: mulher com cólica forte e dor pélvica segura a parte baixa do abdome
Cólica forte e sangramento intenso estão entre os sintomas mais comuns da adenomiose.

Os sintomas variam muito: há mulheres com adenomiose extensa e poucas queixas, e uma parte delas não tem sintoma nenhum, com o achado aparecendo em um ultrassom de rotina. Quando presentes, os mais comuns são:

Sangramento menstrual intenso

Fluxo abundante, com coágulos, mais dias de menstruação e trocas frequentes de absorvente. Pode levar à anemia, com cansaço e palidez.

Cólica forte

Cólica que piora ao longo dos anos, não melhora bem com analgésicos comuns e atrapalha trabalho, estudo e lazer.

Dor pélvica e na relação

Sensação de peso ou pressão na pelve fora da menstruação e dor na penetração profunda.

Útero aumentado

O útero cresce e fica arredondado, o que pode dar sensação de inchaço na parte baixa da barriga.

Esses sintomas se confundem com os de miomas, pólipos e endometriose. Por isso, a confirmação depende de avaliação médica e exame de imagem.

Adenomiose e endometriose: qual a diferença

As duas doenças envolvem tecido semelhante ao endométrio fora do lugar. A diferença está na localização: na adenomiose ele fica dentro do músculo do útero; na endometriose, fora do útero, em ovários, ligamentos, intestino, bexiga e peritônio. A endometriose atinge cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva.4

Aspecto Adenomiose Endometriose
Onde fica Dentro do músculo do útero Fora do útero, na pelve
Sintomas marcantes Sangramento intenso, cólica, útero aumentado Cólica, dor pélvica, dor na relação, sintomas intestinais e urinários
Exame de imagem Ultrassom transvaginal (critérios MUSA); ressonância como complemento Mapeamento de endometriose por ultrassom; ressonância

As duas podem coexistir, e é comum que a mulher com uma delas tenha também a outra. Se houver suspeita de endometriose associada, especialmente de endometriose profunda, o exame indicado é o mapeamento de endometriose, que avalia o útero e toda a pelve no mesmo exame.

Como é feito o diagnóstico da adenomiose

Tudo começa pela conversa sobre os sintomas, o padrão menstrual, as gestações e as cirurgias anteriores, seguida do exame ginecológico, em que o útero pode estar aumentado, arredondado e sensível.

Ultrassom transvaginal

É o principal exame de imagem. O consenso internacional MUSA padronizou como o ultrassom deve descrever o músculo do útero,1 e sua revisão de 2022 separou os sinais de adenomiose em dois grupos e recomendou o uso do ultrassom 3D para avaliar melhor a zona juncional, a transição entre o endométrio e o músculo.2

Sinais diretos

Mostram o tecido dentro do músculo: pequenos cistos no miométrio, ilhas brilhantes (hiperecogênicas) e linhas ou brotos que partem do endométrio.

Sinais indiretos

Mostram as alterações que o tecido provoca: útero globoso, paredes de espessura diferente, sombras em leque, vasos atravessando a lesão e zona juncional irregular ou interrompida.

Diagnóstico de adenomiose: médica conversa com paciente sobre sintomas e exame de ultrassom transvaginal
O resultado do exame é sempre interpretado junto com os sintomas e o exame físico.

Ressonância magnética

Complementa o ultrassom quando o exame não é conclusivo, quando é preciso definir melhor a extensão da doença ou diferenciar adenomioma de mioma, principalmente antes de uma cirurgia.

Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito sem cirurgia. Exames de sangue, como o hemograma, mostram o impacto do sangramento (anemia), mas não confirmam nem excluem a adenomiose.

Cólica forte ou sangramento intenso?

O ultrassom transvaginal é feito em Curitiba, com tempo dedicado, explicação durante o exame e laudo entregue na hora.

Adenomiose, fertilidade e gestação

Ter adenomiose não significa ser infértil. A condição pode, porém, alterar a parede e as contrações do útero e criar inflamação local, o que interfere na implantação do embrião em parte das mulheres.

Uma meta-análise de estudos com fertilização in vitro mostrou chance de gravidez cerca de 28% menor em mulheres com adenomiose e risco de abortamento perto do dobro, com grande variação entre os estudos.3 Por isso, quem vai fazer reprodução assistida costuma ter o útero avaliado antes, e o plano leva em conta a idade, a reserva ovariana, a presença de endometriose ou miomas e o histórico de tentativas.

Na gestação, quem tem o diagnóstico deve levar os laudos de ultrassom e ressonância à primeira consulta de pré-natal, para um acompanhamento atento.

Tratamento da adenomiose

Não existe um tratamento único. A escolha é individual e considera a intensidade dos sintomas, a idade, as doenças associadas e o desejo de engravidar. Mulheres sem sintomas geralmente só precisam de acompanhamento.

Tratamento clínico

Costuma ser o primeiro passo: anti-inflamatórios nas crises de cólica e tratamentos hormonais, como pílula, progestagênios, DIU hormonal e, por tempo limitado, medicamentos que reduzem o estrogênio. O objetivo é diminuir a dor e o sangramento.

Procedimentos e cirurgia

Em casos selecionados: retirada do adenomioma preservando o útero, embolização das artérias uterinas e, para quem não deseja mais engravidar e tem sintomas que não melhoram, a histerectomia (retirada do útero).

O objetivo é controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, e o plano pode ser ajustado ao longo do tempo. Medicamentos hormonais não devem ser usados por conta própria.

O que o exame não mostra

O tamanho da alteração no exame nem sempre corresponde à intensidade dos sintomas: há mulheres com adenomiose extensa e pouca dor, e outras com achados discretos e dor forte. O laudo descreve o útero, mas não prevê com exatidão a fertilidade, o risco de abortamento ou o tipo de parto.

Na prática: não se prenda a uma frase isolada do laudo, como “adenomiose difusa”. O resultado deve ser interpretado com o seu médico, junto com a sua história e o exame físico. Leve sempre os exames anteriores: comparar a evolução diz mais do que um resultado isolado.

Perguntas frequentes sobre adenomiose

Adenomiose pode virar câncer?

A adenomiose é uma condição benigna e não se transforma em câncer. O acompanhamento ginecológico regular continua importante, e sangramento depois da menopausa ou mudança brusca no padrão de sangramento sempre devem ser avaliados.

Adenomiose tem cura?

A retirada do útero resolve os sintomas, mas encerra a possibilidade de gestação e só é indicada em situações específicas. Fora isso, o tratamento busca controlar os sintomas, e muitas mulheres convivem bem com a doença controlada.

Adenomiose sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitas mulheres controlam bem os sintomas com tratamento clínico. A cirurgia fica para casos em que a dor ou o sangramento não melhoram com os medicamentos.

Quem tem adenomiose pode engravidar?

Sim. A adenomiose pode reduzir as chances em parte das mulheres, principalmente na reprodução assistida, mas muitas engravidam. A avaliação considera também a idade, a reserva ovariana e outras condições associadas.

Adenomiose melhora depois da menopausa?

Em geral, sim, porque a doença depende dos hormônios dos ovários. Quem usa reposição hormonal deve informar o médico sobre o diagnóstico.

Como é o ultrassom para adenomiose em Curitiba?

É um ultrassom transvaginal com avaliação detalhada da parede do útero, sem preparo intestinal quando o objetivo é só o útero. Se houver suspeita de endometriose associada, pode ser indicado o mapeamento de endometriose, que tem preparo próprio. Leve laudos e exames anteriores.

Atendimento em Curitiba

Ultrassom transvaginal com tempo e explicação

Se você tem cólica forte, sangramento intenso ou recebeu um laudo sugerindo adenomiose, o exame detalhado ajuda a entender o que está acontecendo e a planejar os próximos passos com o seu médico.

Av. Visconde de Guarapuava, 4628 · Sala 814 · Ed. Doc Batel · Batel, Curitiba (PR)

Dra. Camila Gomes Bruns, médica ginecologista e obstetra

Sobre a autora

Dra. Camila Gomes Bruns

Médica ginecologista e obstetra, com área de atuação em ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia e em medicina fetal. Realiza ultrassom ginecológico e mapeamentos de endometriose desde 2009 e atende em Curitiba.

MÉDICA · CRM-PR 19.523 · Ginecologia e Obstetrícia RQE 12.803 · Área de atuação em Ultrassonografia em GO RQE 1.676 · Área de atuação em Medicina Fetal RQE 17.783

Referências

  1. Van den Bosch T, Dueholm M, Leone FPG, et al. Terms, definitions and measurements to describe sonographic features of myometrium and uterine masses: a consensus opinion from the Morphological Uterus Sonographic Assessment (MUSA) group. Ultrasound Obstet Gynecol. 2015;46(3):284-98. doi:10.1002/uog.14806
  2. Harmsen MJ, Van den Bosch T, de Leeuw RA, et al. Consensus on revised definitions of Morphological Uterus Sonographic Assessment (MUSA) features of adenomyosis: results of modified Delphi procedure. Ultrasound Obstet Gynecol. 2022;60(1):118-131. doi:10.1002/uog.24786
  3. Vercellini P, Consonni D, Dridi D, et al. Uterine adenomyosis and in vitro fertilization outcome: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod. 2014;29(5):964-77. doi:10.1093/humrep/deu041
  4. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica e a avaliação individualizada.